Desde que os alunos da USP foram presos com maconha eu ensaiei escrever um post sobre o caso. O que era uma simples prisão de três pessoas portando entorpecentes... tomou proporções e se tornou pauta de todos os jornais e atualizações do Facebook.
Diante de tanto barulho, resolvi ouvir (ler) mais e falar (escrever) menos. Depois de todo o ocorrido o post está aqui!
Diante de tanto barulho, resolvi ouvir (ler) mais e falar (escrever) menos. Depois de todo o ocorrido o post está aqui!
Vamos aos fatos!
Me lembro que a violência na cidade universitária estava tomando proporções catastróficas. Roubos, estupros e latrocínios. A galera protestou e exigiu segurança. A pergunta era "Por que raios a polícia não está trabalhando para acabar com isso?".
E lá foi a PM trabalhar na USP... acontece que o trabalho da polícia não é só atirar em bandido... foi aí que acabaram prendendo três alunos que portavam maconha. Parabéns! Droga é algo ilegal e como policiais eles cumpriram com suas obrigações!
Começaram os protestos contra a prisão! Muitos alegavam que a universidade é um local de pensamento livre, portanto a maconha deveria ser permitida. Besteira da grande! Maconha é proibido e pronto! Não é porque você é a favor da legalização que pode infringir as leis! Partindo desse princípio os assaltantes poderiam alegar que são a favor dos assaltos e os cometem na USP pois lá é uma área de pensamento livre!
Alunos revoltados resolveram invadir a reitoria. Foi aí que o povo ficou revoltado e começaram os protestos contra os revolucionários de butique (como muitos chamaram).
Agora eu gostaria de criticar todos os que foram ao Facebook escrever um monte de merda. Acho triste ver a quantidade de posts vazios sobre a ocupação. O problema não é alguém postar uma charge que expressa sua opinião. O problema é que minha timeline é formada, em sua maioria, por alunos e profissionais de comunicação e me entristece ver que jornalistas e futuros jornalistas não foram atrás dos fatos antes de formar e expressar suas opiniões. Seguem algumas charges que bombaram nesse período.
Outra coisa que me deixou extremamente revoltado foi o povo da Metodista, Mackenzie e Cásper falando que na USP só tem maconheiro! Ou esse povo não frequenta a própria faculdade ou não sabe a diferença entre maconha e incenso, pois em uma volta ao redor de qualquer uma dessas três faculdades é o suficiente para encontrar alunos fumando maconha! Hipocrisia monstra dizer que na USP só tem maconheiro sendo que nas suas próprias a maconha rola solta!
Muita gente pedindo para a polícia entrar dando borrachada e tudo mais! A polícia entrou de tirou os ocupantes de dentro da reitoria. Começaram os protestos contra as ações da polícia na desocupação. Vale a pena conferir o texto do Papo de Homem sobre as mentiras ditas sobre a PM na USP.
É muito fácil falar da situação política da Universidade de São Paulo sendo que não estamos lá. Posso dar meus pitacos assim como muitos estão fazendo. Pedi a opinião do Duda, camarada que é USPiano. Ninguém melhor do que uma pessoa que vive aquela realidade para falar sobre o caso.
É muito fácil falar da situação política da Universidade de São Paulo sendo que não estamos lá. Posso dar meus pitacos assim como muitos estão fazendo. Pedi a opinião do Duda, camarada que é USPiano. Ninguém melhor do que uma pessoa que vive aquela realidade para falar sobre o caso.
A minha opinião se resume aqui, no fim desse texto:
"Enfim, sou contra a ocupação. Sempre tive várias críticas ao Movimento Estudantil desde que entrei na USP. Nunca aceitei a partidarização do ME. Me decepciono com a falta de propostas efetivas e com as discussões ultrapassadas da maioria das assembléias. Mas, nada, nada mesmo, justifica o que ocorreu hoje. Nada pode ser explicação pra violência gratuita, pro abuso do poder e, principalmente, pela desumanização da PM." (Shay, aluna de jornalismo da ECA)
Uma coisa que vale a pena nesse texto é ver como a mídia também é um circo e filtra algumas informações. De qualquer forma, é muito mais fácil a gente vender um discurso simplista, resumitivo e preconceituoso, pq as pessoas compram mesmo, sem saber que estão comprando e nessa, a ala conservadora da sociedade está ganhando disparado, o que a gente vê exposto aí é de lamentar. Lamentar como é facilmente comprado o argumento de que são simples riquinhos mimados desocupados e maconheiros querendo simplesmente e somente ter privilégios num lugar dentro da cidade.
Uma coisa que me chamou atenção no texto do Duda foi o trecho que ele fala sobre a cobertura da mídia! Uma das minhas amigas do Face fez uma publicação com uma matéria da Veja e fez o seguinte comentário "Adoro jornalista que não tem medo de ser crítico e, ao mesmo tempo, irônico. Tudo na medida certa. É isso aí! ;)"
Acho extremamente triste ver alunos de comunicação utilizando a Veja como fonte para se informar sobre assuntos que tratam movimentos populares, revoluções estudantis e qualquer coisa que vá contra os interesses da burguesia. Historicamente a Veja se demonstra parcial e contra tudo que ofereça risco aos seus ideais opressores. Um bom exemplo está nessa capa da revista que trata sobre revoluções estudantis na época da ditadura (regime apoiado pela Veja, se bobear, até os dias de hoje)
Pedi ao meu irmão um depoimento sobre o caso. Como ele faz Unesp e é bem ligado nesses movimentos, a visão dele como simpatizante de movimentos estudantis e de alunos de universidade pública mostra uma visão diferente sobre o ocorrido. Até mesmo porque as informações não chegavam pela mídia tradicional e sim por grupos de debates na internet. Legal que ele faz uma reflexão sobre a distância entre a faculdade pública e a população em geral.
Gostaria de terminar postando uma imagem que demonstra o ciclo do que aconteceu na USP!
A imagem mostra bem o que ocorreu e faz muito sentido. Mas convido você, leitor, a expandir sua mente e pensar nesse mesmo ciclo quando cometem seus pequenos crimes (compra de produtos piratas, sonegação de impostos etc). Todos esses atos ou alimentam diretamente os mercados ilegais ou prejudicam financeiramente o sistema que você exige de seus governantes para sua proteção. Pense se você é muito diferente desses alunos quando o assunto é "segurança" x "liberdade".
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Adicionado dia 11/11/11 (00:38)
Dentre todos os links que rolaram eu não tinha visto um que acho importante para a discussão.
Vi no Face e minutos depois recebi o comentário do Heitor sugerindo o mesmo texto. Vale a pena conferir o post Esclarecendo o caso USP (pra quem vê de fora).
Acho extremamente triste ver alunos de comunicação utilizando a Veja como fonte para se informar sobre assuntos que tratam movimentos populares, revoluções estudantis e qualquer coisa que vá contra os interesses da burguesia. Historicamente a Veja se demonstra parcial e contra tudo que ofereça risco aos seus ideais opressores. Um bom exemplo está nessa capa da revista que trata sobre revoluções estudantis na época da ditadura (regime apoiado pela Veja, se bobear, até os dias de hoje)
Pedi ao meu irmão um depoimento sobre o caso. Como ele faz Unesp e é bem ligado nesses movimentos, a visão dele como simpatizante de movimentos estudantis e de alunos de universidade pública mostra uma visão diferente sobre o ocorrido. Até mesmo porque as informações não chegavam pela mídia tradicional e sim por grupos de debates na internet. Legal que ele faz uma reflexão sobre a distância entre a faculdade pública e a população em geral.
Sou aluno da Unesp e toda vez que falo que estudo lá as pessoas aqui da cidade onde moro me dizem "É naquele muro branco" isso mesmo o acesso que a população tem à universidade é um muro, então pergunto: qual o papel desse centro de estudo mantido pela população? Com certeza não serve a própria população, pois existem barreiras como o vestibular e o próprio muro que colocam os universitários dentro de uma "bolha", são a ELITE INTELECTUAL do país e fazem por merecer se comportando como elite, se distanciando das problemáticas sociais e até mesmo as agravando. Infelizmente os alunos que se engajam politicamente e lutam sofrem uma repressão por estarem pensando naquilo que talvez não seja interessante para o estado, afinal a faculdade ter um RU, moradia, bolsas só trazem prejuízos. Alguns dizem que essa repressão não existe, então pergunto, por que a TROPA DE CHOQUE foi no CRUSP (moradia estudantil) durante a ação na reitoria? Os estudantes tem o direito de saírem de suas casas e irem VER o que está acontecendo com seu companheiros. Concordo que muitas vezes a mobilização estudantil se dá de forma violenta em respostas a ação policial, mas e a violência da própria polícia, por que eles estavam sem identificação? Por que alguns policiais estavam encapuzados lembrando traficantes?
De fato essa discussão da polícia começou de uma das piores formas possíveis, que foi o fato de ter encontrado alguns estudantes portando maconha, mas as reivindicações não são pelo uso de maconha na USP, conforme a mídia deixa entender, e disso eu tenho certeza pelo simples motivo: os estudantes não temem de afirmarem publicamente o motivo das manifestações, um exemplo é a marcha da maconha. Concordo que alguns estudantes querem ter a liberdade de usar drogas dentro da USP mas essa não é a principal causa, pois como já disse se a fosse seria falada publicamentePara dar lugar a todos no debate ouvi meu primo que é PM sobre a ação policial nesse caso.
Já que eu trouxe a visão de um aluno da USP e outro da Unesp, achei justo pedir a opinião do meu primo que é PM. Afinal... todos os lados devem ser ouvidos.
A policia é legalista em todo estado da união, no campus existe uma situação mitificada que é território de livre pensamento, ideias opiniões, mas esse comportamento de poder transgredir a lei é inadmissível.Eu poderia gastar muitas linhas mais para falar sobre o caso, mas o Matheus Pichonelli me poupou esse trabalho com seu texto que saiu na Carta Capital. O próprio título "Ocupação patética, reação tenebrosa" demonstra que todos os lados foram ouvidos e levados em consideração na hora de produzir a matéria. (Tomara que a Veja leia e aprenda como fazer jornalismo). Nessas horas, em que vemos o povo se baseando em informações de veículos como a Veja, vale a pena lembrar de uma frase do Malcolm X que também andou circulando por aí.
Gostaria de terminar postando uma imagem que demonstra o ciclo do que aconteceu na USP!
A imagem mostra bem o que ocorreu e faz muito sentido. Mas convido você, leitor, a expandir sua mente e pensar nesse mesmo ciclo quando cometem seus pequenos crimes (compra de produtos piratas, sonegação de impostos etc). Todos esses atos ou alimentam diretamente os mercados ilegais ou prejudicam financeiramente o sistema que você exige de seus governantes para sua proteção. Pense se você é muito diferente desses alunos quando o assunto é "segurança" x "liberdade".
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Adicionado dia 11/11/11 (00:38)
Dentre todos os links que rolaram eu não tinha visto um que acho importante para a discussão.
Vi no Face e minutos depois recebi o comentário do Heitor sugerindo o mesmo texto. Vale a pena conferir o post Esclarecendo o caso USP (pra quem vê de fora).







2 milhões de comentários:
Essa história toda esta cheia de hipocrisias, meias-verdades e comentários que não vão de encontro com as verdadeiras reivindicações.
Antes de tudo, você sitou alguns matérias e textos, mas não citou esse: https://www.facebook.com/notes/jannerson-xavier/esclarecendo-o-caso-usp-pra-quem-v%C3%AA-de-fora/2459499642739
Creio que você já o tenha visto, mas caso não, vale a pena ler e não ignorar nada do que foi dito ai (mesmo que seja um texto digamos "partidário").
As conclusões que eu cheguei foram que:
Eu sou contra esse depoimento de que são apenas 200 alunos que fizeram a ocupação, e que a maioria na verdade era contra! Também não houve qualquer dano a patrimônio publico que possa ser levado em consideração - os danos causados pela policia para a desocupação foram maiores do que as dos próprios estudantes, que somente derrubaram um portão, desligaram câmeras de segurança e picharam algumas paredes.
A questão nunca foi maconha, e mesmo a PM... na verdade os estudantes não são contra segurança, eles são contra as imposições por parte da reitoria (leia PSDB) a toda a politica da Universidade. Existem outras opções de segurança...
A USP é uma autarquia, a PM só está la por um convenio. Não se trata de autoridade ou não, legalidade da maconha.
Todo mundo sabe que existe consumo de drogas nas Universidades de todo país, mas prender os estudantes não muda muito.. porque a PM não combate o tráfico?
E a violência no Campus não diminuiu com PM. Continuou a mesma coisa (veja no texto dados).
Eu deixo uma pergunta, você já frequentou a USP? Se sim, me diga.. o ambiente lá dentro é agradável ou não? Então, você acha que devemos levar os tratamentos da cidade para dentro do Campus ou não seria melhor levar o ambiente de um local universitário para fora?
A universidade tem sim que ser um ambiente autônomo, um território de livre pensamento, ideias e opiniões. A reitoria é a primeira a não respeitar isso, e a sociedade influenciada por mentes de reaças pequenos burgueses se convencem do mesmo. Parece que todo mundo é favor dos estudantes irem para faculdade estudar e ponto final, o senso critico é ignorado.
.:Heitor
Valeu pela visita. E desculpe pela demora da resposta.
Eu não tinha lido esse texto antes de fazer o post. Li uns 5 minutos antes do seu comentário e já o adicionei ao final do texto.
Eu sei que o problema não foi somente a maconha. A prisão foi apenas o Estopim.
Quanto à prisão e o combate ao tráfico que você disse... também concordo que o ideal é combater o tráfico ao invés de prender os usuários, mas isso é uma questão que tem que ser debatida e a lei tem que ser mudada... até lá é função da polícia deter os usuários, sim.
A polícia é cheia de falhas, mas ela tem um papel na sociedade que deve ser respeitada... não adianta meter o pau na polícia sendo que ela segue ordens dos políticos. Devemos questionar a posição do governador que deu as ordens e não da polícia que estava cumprindo seu pepel.
Sim, eu já estive na USP inúmeras vezes e a sensação de insegurança é grande.
Concordo que a universidade tem que ser um lugar de livre pensamento e idéias livres. Isso é o que torna o ambiente agradável. Mas vale ressaltar o "pensamento" e "ideias". É um lugar para se debater as mudanças e a partir disso desenvolver as ideias. O certo é:
Vamos debater a legalização? Sim!
Depois do debate cada um deve usar os meios legais para alcançar o objetivo (a legalização no caso)...
Mas esse discurso é velho!
Acontece que os alunos fumam maconha, usam esse discurso de livre pensamento e depois de formados cada um segue sua carreira... depois que o cara pega o diploma ele quer ser médico, advogado, relações públicas, jornalista ou o que for...
Basta ver quantos formados aderem aos movimentos pró-legalização... Muito pelo contrário... infelizmente muitos saem da faculdade e vão trabalhar na VEJA, Globo etc.
Infelizmente a maioria só quer curtir a faculdade com todas as suas liberdades e foda-se o mundo depois que se formar.
Mas não pense que sou contra os protestos e movimentos estudantis... Acho que o brasileiro é muito passivo e isso tem que mudar.
Essa ocupação foi motivada por muitas coisas mais importantes do que a legalização ou a PM, sobre todas as outras eu concordo! Só não aceito é esse discurso de local de "livre pensamento" para o povo usar drogas.
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